domingo, 3 de abril de 2011


E queria não mais duvidar de que tudo
é um eterno desapego,uma eterna instabilidade...
E queria,queria tanto não estar cansada,
consumindo-me de ansiedade e de impaciência
com falsos sorrisos,com falsos motivos
pra retribuir afeto.
Queria estar intacta,
ter a simplicidade
e não a solidão
de ser criança.
E queria ser adulta
como se é adulta,
perder a hora
com o que valesse a pena,
saltar da cama num impulso de excitação
pelo começo de um novo dia
aparentemente normal.
Não ligar se não te ligam,
não sentir se não te sentem.
Queria apenas um tempo
além do tempo em que se perde
com o que não te faz
ser, incondicionalmente feliz.



segunda-feira, 28 de março de 2011

"No mar estava escrita uma cidade."


VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

Do nosso homenageado de hoje: 
(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 15 de março de 2011


É proibido falar o que se tem vontade,
o que não convém, o que não agrada,
o que te enche o saco, o que não interessa,
e é proibido calar também, ficar quieta,
não dizer nada, nem querer compartilhar.
É proibido ser o que se é!
E a falta de paciência pro que é comum?
Sinto que sobrevivo em meio ao caos
do que são as pessoas que fazem
parte de uma normalidade em massa,
pessoas iguais, que em nada me acrescentam.

terça-feira, 1 de março de 2011

As Cores da Nossa Casa


As cores da nossa casa,
quais eram?Não as vejo mais.
Desbotaram-se sozinhas,vazias e
inexpressivamente,como nós...
Ainda resta um pouco de cinza-claro
embaçado com uma gota sobrevivente
de branco-amarelado,algo que
logo,o tempo se encarregará
de desbotar também.
Lembro-me do céu azul anil
a contrastar com tantas vivas cores
de uma paisagem limpa,pura,alegre,
mas que em meus olhos já
não reflete mais tanta luz.

São pedaços de pequenas coisas e cores
que morrem junto da gente
sempre que morremos junto delas.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Conquistas falhas


Onde estão os meus triunfos?
O que foi ganho
com o tempo que perdi
com o que não bastou?
Com o tempo em que fui razão,
mágoa e ressentimento...
Tempo em que briguei
e senti ódio de mim,
o que ganhei?
Fiz de tudo e nada fiz.
Talvez tenha sido o medo
da intensidade que me domina
sempre que chego perto do que sou.
Como medir a imensidão da dor
de ser só alguém
numa lembrança vaga
de algum pensamento
tão perdido quanto esse?
Encontro em mim,
uma alma intoxicada de falhas
confundidas com conquistas.
E a vejo quase morta
em meio ao desengano
de achar que ganhava,
quando na verdade,
perdia...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"Poema"



"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento,a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás..."

(Lindíssima composição de Frejat e Cazuza
Interpretada por Ney Matrogrosso)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Incentivando a reação...

Sinto uma fraqueza exposta
e vejo que todos a observam.
Revisto-me dela
recolhendo os restos de mim.
Há ainda
uma autêntica camada de ilusão
que recobre
uma generosa camada de frieza...

...Reaja menina,
seja bonita outra vez,
e volte a caminhar
com o brilho dos olhos
que sempre te pertenceu.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Busca Exaustiva


É realmente possível perdemos o que nunca tivemos?
Posso,verdadeiramente,ser alguém que se engana,
mas também sou verdadeiramente o que sinto.
E fiz questão de mostrar essa parte boa de mim,
como uma das melhores características que tenho.
Mostrei-me genuinamente,sem medo e sem escrúpulos,
confiante de que estava fazendo o meu melhor.
Mas eu não estava,não é assim que funciona.
Pessoas não estão acostumadas com tais atitudes.
Pessoas estão acostumadas com a hipocrisia,
com a falta de verdade,com o que é comum pra elas.
Assim,expus-me à toa,pra me ver no infinito
vazio insuportável de não ser comum...
Perdi a mim mesma na complexidade do que sou
pra viver o hoje numa busca exaustiva de me encontrar.